Terça-feira, meio dia e meio, saio para almoçar aqui no centro. Fui no Delírio Tropical aqui na Santa Luzia, do lado do meu trabalho. Lotado, como sempre, mas descolo um lugar numa mesa de quatro pessoas onde já haviam duas mulheres, uma coroa emperequetada e uma jovem, aparentemente sua filha. Ambas louras, bronzeadas e cheias de maquiagem.
- Com licença, tem alguém aqui? - pergunto
- Não, pode sentar meu filho.
Pois bem, sentei, abri o mate e começo a tarefa da deglutição da comida. Hummm, sopinha de cebola… Mas, dado a proximidade, não pude evitar de ouvir a conversa que corria entre as duas. Aparentemente, tinham acabado de vir do consulado americano, que é logo ali do lado, onde a filha acabara de conseguir seu visto de entrada nos EUA.
- Mas então Tânia (ou Vânia, não tenho certeza), quais são seus planos agora, de acordo com Deus?
Tá, são crentes né? Não parecia, mas tudo bem. Nada contra. Segue o papo…
- Ai mãe, não sei.
- Já sabe quem vai te levar no aeroporto, filha? O Fulaninho ou o Ciclaninho?
- Acho que o Fulaninho mãe, pro Ciclaninho eu disse que ia com você, e ele acreditou.
- Graças a Deus minha filha, imagina se um descobre do outro? Mas Deus é pai, não deixa isso acontecer.
- Deus é pai mãe.
Ok, pára tudo. A crentezinha tem 2 namorados? Tá ficando interessante…
- Mas e Nova Aiorque filha, você não vai ficar um tempo lá? Tem o Beltrano lá com aquele apartamento ma-ra-vi-lho-so…
- Ai, eu sei mãe, mas a senhora sabe né? Se eu ficar lá no apê dele, ele vai querer pecar! Eu eu não posso mais fazer isso, né? Deus me livre…
- Deus te livre e guarde, filha! É, talvez não dê para você ficar lá mesmo.
- E ainda tem o Zequinha né mãe? Eu sei que NY é grande, mas imagina se ele me vê lá com o Beltrano? Ele ia terminar comigo!
- Nossa, é verdade filha! Tinha esquecido disso, mas Deus é pai, ele não vai deixar isso acontecer…
- Deus é pai, mãe.
Caralho, eu estava almoçando com as crentes mais safadas que já vi. Nesse ponto, eu já estava engasgando na couve flor e com sopa de cebola saindo pelo nariz. Tossindo, vermelho, e com lágrimas nos olhos, tentando esconder o riso, ainda tenho que ouvir um “Deus te abençoe, meu filho” da coroa… Bisonho.
Pensamento que tive agora: imagina se você fosse uma das duas, e um dia navegando na Internet descobre um blog escroto com uma historinha narrando um almoço seu, que nem esse? Interessante…









