Mark Shuttleworth é o cara.
Apesar de ouvir o nome dele aqui e ali várias vezes, eu ainda não havia parado para pensar quem era este cara. Depois de uma rápida pesquisa num momento de ócio criativo, só encontro uma palavra para descrever ele e sua vida: impressionante.
Rápida biografia: Mark Shuttleworth é sul-africano, nascido em 18 de Setembro de 1973. Se formou em finanças e tecnologia da informação na Universidade da Cidade do Cabo em 1996 e logo em seguida criou a Thawte, uma das primeiras empresas provedoras de certificação digital (para transações web seguras, e-commerce e e-banking), em sua garagem. A Thawte rapidamente cresceu e se tornou a segunda maior empresa de certificação do mundo em poucos anos. Em 1999, no auge da bolha .com, ele vendeu a sua empresa para a VeriSign (sua maior concorrente até então), o que lhe rendeu algumas centenas de milhões de dólares. US$ 575 milhões, para ser mais exato. Assim, aos 26 anos, o nosso amigo ficou mega-ultra-milionário.
O cara tinha tudo pra passar o resto da vida na esbórnia, mas não o fez (pelo menos não por muito tempo). Fundou uma empresa de capital de risco para financiar “empreendedres sul-africanos com potencial global” (a HBD Venture Capital), uma outra fundação (The Shuttleworth Foundation) para financiar projetos inovadores em educação no mundo todo, além de vários outros projetos sociais. Mas os feitos mais interessantes dele, pelo menos para mim, ainda estavam por vir.
Em 2002 Mark Shuttleworth se tornou o segundo “turista espacial” da história (e o primeiro astronauta africano). Ao custo da bagatela de US$ 20 milhões, Mark, após 1 ano de treinamento na Star City na Rússia e muita burocracia, passou 10 dias em órbita da Terra, 3 voando e 7 na Estação Espacial Internacional. Sinistro.
Além de tudo isso, Mark é um desenvolvedor Debian desde 1994, e também colabora com o projeto Gnome. E em 2004, ele fundou o Ubuntu Linux, uma distribuição Linux baseada no Debian Sid, com foco no desktop, que é simplesmente incrível. Passou rapidamente a ser minha distro preferida, além de ser a distro mais popular no distrowatch.com atualmente. Assim como o Debian, o Ubuntu é e sempre será completamente FREE (em todos os sentidos da palavra). Mark criou também uma nova empresa, a Canonical, para prover serviços de suporte para o Ubuntu. E agora em Julho de 2005, ele criou a Ubuntu Foundation, uma fundação destinada a promover o desenvolvimento e suporte do Ubuntu Linux (e seus derivados, como Kubuntu e Edubuntu), e remunerar programadores envolvidos no projeto. A fundação conta com uma verba inicial de US$ 10 milhões, tudo saído do bolso do Mark mesmo.
E além de tudo isso, o cara é simples e acessível. Esta entrevista dele é muito boa, ele fala bastante do Ubuntu, da viagem espacial dele e da Áfica da Sul. E ele estará no Brasil (em Porto Alegre) à convite da ASL. É a segunda vez que ele vem ao Brasil, a primeira foi como participante da DebConf4.
Mark Shuttleworth é o cara.









