La merde

Lendo este relato me lembrei das peripécias e acrobacias que éramos obrigados a fazer no XXIX Eneco para conseguir ir ao banheiro. Tempos difíceis aqueles…

O Encontro Nacional dos Estudantes de Economia de 2002 (ou era 2003? Não me lembro direito) foi em São Leopoldo, RS. Estávamos alojados numa espécie de clube abandonado a uns 5 kilômetros da Unisinos, onde era o evento. Ou pelo menos a parte séria dele. Todos estavam em barracas e sacos de dormir numa parte mais fechada do “galpão”, e havia banheiros, com chuveiros apenas, ao redor do complexo. O que era bom, pois não ficava aquele cheiro de merda mentolada (com shampoo ou pasta de dente) no ambiente. Ou seja, banho não era problema, até porque estava frio.

Para atender às necessidades fisiológicas no entanto, a história era outra. Havia apenas 2 banheiros, um para cada sexo, nos alojamentos. Cada banheiro dispunha de 2 privadas. Até aí, tudo bem. O problema é que estes banheiros eram compartilhados entre todos nós alojados ali mais toda a galera que vinha para as festas, bem ao lado do alojamento! Coisa de umas 500 pessoas apenas…

Resumindo, se você sentisse aquela cutucada de dentro para fora, no meio da madrugada ou de manhã cedo (antes dos hérois da limpeza chegarem), meu irmão, você estava com problemas. E claro que estas eram justamente as horas em que aquele x-tudo que você tinha comido antes de dormir, mais os milhares de sachês de mel com cachaça que você tomou, resolviam querer sair rompendo com tudo e dar uma nadada por aí.

Nestas horas, meu caro, só os mais sagazes conseguiam manter a compostura. E o segredo para isso era simples: o homem-aranha pantanoso. Esta era a única estratégia que possibilitava o uso daquelas latrinas às 5 horas da manhã.

O esquema era complexo. O objetivo final era largar os toletes rumo ao seu destino, porém sem encostar na temida privada, claro. E ainda havia o perigo do terrível respingo, o famoso colírio. O guerreiro deveria invocar a força e astúcia do aracnídeo para se agarrar às paredes e à porta do reservado e, com o derrière a flutuar, tal qual um hovercraft sobre a lama na Flórida, despejar suas bombas sobre o inimigo. Contudo, antes disso o valente sabiamente despejava algumas folhas de papel higiênico sobre a água do vaso, causando o efeito pantanoso desejado para inibir o refluxo de substâncias, frente ao impacto dos toletes n’água, que era magnificado devido ao fato de que os objetos eram largados de uma altitude superior à normal.

É, não eram dias fáceis aqueles… Muitos desistiam e tentavam desesperadamente controlar a força intestinal por mais algumas horas, até conseguirem chegar a Unisinos pela manhã. Era impressionante como as primeiras palestras do dia estavam sempre vazias, enquanto os banheiros da universidade, sempre cheios.

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