Existem várias formas de invardir um país inimigo (ou não), além da clássica 3 dados vermelhos contra 1 amarelo. Mas o traço em comum a toda invasão (e consequente dominação) de um território é que todas são planejadas antecipadamente, e executadas aos poucos, em etapas. Inclusive as que parecem ser repentinas.
Vamos aos poucos também para que vocês compreendam onde quero chegar.
Vejam o Iraque. Os EUA estão tendo sérios problemas para controlar a região. Claro, eles destruíram o exército iraquiano, prenderam o ditador e seus asseclas, etc, etc. Mas se um soldado americano ou policial sair na rua sozinho, em qualquer parte do país, não volta. A razão dessa dificuldade toda é muito simples: o povo iraquiano tem armas. Muitas armas. No governo de Saddam Hussein (e nos anteriores), cada casa podia possuir 1 fuzil AK-47 sem nenhuma necessidade de registro ou coisa do tipo. Mas se quisesse um lança-mísseis, aí só com permissão ![]()
Mais dados: o Iraque tem 11 milhões de habitantes, e estimo que deve haver uns 300 mil soldados americanos lá, no máximo.
Vejamos o Brasil agora: temos 180 milhões de habitantes e, que eu saiba, nenhuma quantidade expressiva de soldados americanos em nosso solo (ainda). Nossas casas não possuem AK-47’s (bom, talvez algumas casas possuam, nunca se sabe), mas muitas residências possuem armas mais leves. Ou possuiam, até serem coagidas pelo governo e, principalmente, pela grande imprensa, a entregarem suas armas, em troca de alguns trocados. Tudo em nome da paz. A mesma paz que é reinvindicada em passeatas na Vieira Souto.
(Não vou entrar a fundo na questão da campanha do desarmamento neste post para não perdermos o fio da meada, mas as minhas opiniões estão na mesma linha deste artigo aqui.)
Mas o que isso tem a ver com invasão e dominação de países, você me pergunta?
Bom, primeiro, eu lhe pergunto: você ainda duvida que os EUA só invadiram o Iraque para controlar a grande reserva de petróleo que jaz sob seu território? Se sim, se você acredita que Mr. Bush está agindo em prol da democracia no mundo e pela segurança da América contra bombas-atômicas iraquianas, por favor, pare de ler esse texto e se mate. Pegue uma espada e faça um Seppuku com a bandeira americana. Mas se você tem um QI maior do que a temperatura ambiente, continuemos…
Segunda pergunta: qual o recurso natural de segunda maior importância atualmente (e que será em poucos anos o principal)? Esta eu respondo pra você: a água. Água doce, para ser mais específico. Isso você já devia saber. Mas o que você provavelmente não sabe é sobre o Aquífero Guarani. Tudo bem, não é sua culpa. Este assunto é obscuro mesmo, pouco se fala sobre este fenômeno geológico e em breve você entenderá porquê.
Como vocês podem ver nos links sobre o Aquífero Guarani, ele é a maior reserva de água doce do mundo, tirando a Antártica. Isso mesmo. E está situado sob o Brasil (a maior parte), Argentina, Paraguai e Uruguai. Ou seja, bem embaixo da tríplice fronteira, região conturbada, lar de diversos grupos terroristas.
Opa, terroristas? Em Foz do Iguaçú? Bom, pelo menos é isso que dizem nossos brothers do norte. E se tem terrorista, é dever dos EUA agir para controlar essa extrema ameaça, não é?
Pois bem. O primeiro passo da preparação da invasão/dominação/apropriação já começou. Trataram de desarmar a população brasileira. Mais de 300 mil armas de fogo foram retiradas das mãos do povo. Isto dá para equipar um exército, mesmo descontando as armas velhas que nem atiram mais. Servem pra iludir o inimigo pelo menos. Facilitaram o trabalho dos yankees, eliminaram qualquer chance de resistência civil (isso o Rubens César Fernandes não fala, não é?).
Segundo passo: chegar perto do território-alvo. Os americanos já estão na Colômbia, mas apenas com milhares de mercenários privados e técnicos para os helicópteros de combate à plantação de coca. Isso “não conta” então. Além do que, é muito longe da tríplice fronteira (e do aquífero) para justificar qualquer “ação anti-terrorista”. Hum… que tal então no Paraguai? O governo paraguaio acabou de assinar um acordo que permite a entrada e permanência de número ilimitados de soldados americanos (”Marines”, para ser mais exato) com total imunidade diplomática, livres para atuar em qualquer lugar do território paraguaio. Caso vocês não saibam, este é o primeiro passo para a implantação de uma base americana em território estrangeiro, como as bases nos países aliados dos EUA (como Bahreim, Qatar, Inglaterra…).
É impressionante como, com o passar do tempo, as idéias mais paranóicas às vezes vão se tornando factíveis.
Mas o mais impressionante é como a opinião pública é totalmente iludida sobre esses assuntos. É tudo parte do esquema, claro, mas não deixa de ser revoltante. Quantas vezes você já leu sobre o Aquífero Guarani nos jornais ou viu na TV um Globo Repórter sobre o tema? E essa notícia do acordo EUA-Paraguai, você ouviu alguém comentar? É claro que não. A grande imprensa está toda comprada, atolada em dívidas. E o governo brasileiro, ao contrário do americano, não parece levar isso em consideração na formulação de seus objetivos estratégicos. Pelo menos nunca vi, nem ouvi, menção à estas questões nos planos de defesa nacional elaborados na ESG, ali na Urca, bem recentemente.









